• Marco Ferrari Sommelier
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Blanc de Blanc e Blanc de Noir
  • Blanc de Blanc e Blanc de Noir
    Blanc de Blanc e Blanc de Noir

  • Champagne faz escola, quando se trata de espumantes, e nesse caso não é diferente.

    As descrições Blanc de Blancs e Blanc de Noir, nascem na badalada região do norte da França e são adotadas pelos produtores de espumante mundo afora, essas descrições designam dois tipos de vinho que representam bem as antípodas dos espumantes em termo de estilo, vejamos porquê.

    Blanc de Blancs. Traduzindo ao pé da letra significa branco de brancas, ou seja, vinho branco de uvas brancas, parece uma redundância mas não é, sobretudo se consideramos que sim, a maioria dos Champagne são vinhos brancos, mas muito raramente são produzidos a partir de apenas uvas brancas, geralmente resultam do assemblage entre as três grandes castas da região, a Chardonnay, branca, a Pinot Noir e a Pinot Meunier, as duas tintas.

    No caso do Champagne a casta branca utilizada, como vimos acima, é a Chardonnay, esse tipo de espumante é muito apreciado pelos franceses, muito elegante, delicado, com aromas ricos e variados, dos dois tipos é sem dúvida, o mais celebrado.

    A elegância do Blanc de Blancs se deve, sem dúvida à Chardonnay, com a longa permanência sobre as borras da segunda fermentação, esta casta consegue produzir aromas de grande elegância, as notas de fruta seca, tropicais e florais se misturam com os aroma típicos de fermentação, como pão torrado, brioche e manteiga.

    Na boca a elevada acidez e a leveza fazem dos Blanc de Blancs a bebida preferida para entradas, aperitivos e welcome drink de luxo.

    Fora da Champagne é comum encontrar Blanc de Blancs produzidos a partir de outras castas, como Chenin Blanc, Pinot Blanc ou outras que podem variar de acordo com o terroir de origem.

    No Brasil existem produtores que fazem Blanc de Blancs, por aqui a tendência é utilizar a Chardonnay devido ao excelente desempenho desta casta, sobretudo na Serra Gaúcha.

    Blanc de Noir. Literalmente branco de pretas, obviamente aplicado ao vinho falamos de um vinho branco de uvas tintas.

    Novamente Champagne faz tendência e por lá as tintas são as duas Pinots, a Meunier e a prima mais nobre, a Pinot Noir.

    Os Blanc de Noir, a bem da verdade, não tem a mesma fama dos primos brancos, é que se apresentam mais estruturados e as vezes essa estrutura é confundida com rispidez e grosseria.

    Certamente se trata de uma bebida para apreciador, o estilo é bastante peculiar, os aromas não possuem a elegância dos Blanc de Blancs, mas é na boca que a diferença é gritante, onde tínhamos elegância e leveza entram estrutura, corpo, potencia, todas sensações muito marcantes que deixam realmente a impressão de um vinho mais agressivo.

    A harmonização também varia bastante, com os Blanc de Noir podemos arriscar uma gastronomia mais complexa e variada, desde entradas de frios e queijos a pratos de carne propriamente ditos, sem dúvida é uma opção de muita versatilidade com grande desempenho à mesa, prove um exemplar desse vinho com uma feijoada e verá.

    Apesar de sua aura menos aristocrática existem muito apaixonados pelo Blanc de Noir, que não trocariam ele por nada, são os amantes das sensações fortes, que com esse tipo de vinho satisfazem sua sede por tanino.

    Mundo afora é comum encontrarmos esse tipo de espumante, embora com menos frequência que os BdB, no Brasil existem alguns casos, geralmente com base Pinot Noir, outra casta que por aqui se deu muito bem, para base espumante.